sexta-feira, 27 de novembro de 2009


Nunca vi o tal do bom médico

Dia 09/09/2008 caiu em uma terça-feira. Acordei cedo neste dia, mas não para trabalhar. Não desta vez. Comi duas torradas com manteiga (adoro ver a manteiga derretendo no pão quente) e tomei um suco de laranja, como café da manhã. Nada muito diferente do que qualquer brasileiro comum tem como café da manhã; exceto que substituo o café - por causa da minha gastrite - e o leite - por eu ser sensível à lactose - pelo suco de laranja. Afinal é também comum aos brasileiros terem alguns problemas de saúde. Que por sinal, este era um dos motivos de eu ter acordado cedo e não ter ido trabalhar. Tinha uma consulta com o oftalmologista. Não era nenhuma emergência que justificasse minha falta ao trabalho. Mas como não é fácil agendar uma consulta com um bom médico (ao menos foi o que me disseram deste médico) esses dias, acabamos aceitando o horário que nos é oferecido. O pessoal da escola onde trabalho é que não gostou muito da idéia, afinal sou professor, e ter encontrado um professor que pudesse fazer uma substituição às 7 horas da manhã não deve ter sido nada fácil. Mesmo minha consulta sendo as 8:15 da manhã tive de deixar de trabalhar pois cada aula dura 1h e 30 min. Então não teve jeito mesmo. Não ministrei nem a primeira, nem a segunda aula.
Enquanto ia até a clínica médica, pensei na sorte que tinha, por ter condições de ter um convênio médico. Afinal esse “luxo” não sai barato. Enfim, cheguei à clínica às 8:00 da manhã para não ter problemas de atraso (acho o cúmulo quem consegue chegar atrasado em relação a um horário no qual a pessoa confirma poder comparecer; Oras, se for chegar mais tarde é só marcar um horário mais tarde. Mas não acredito que as pessoas façam isso. Vejo sempre senhores e senhoras em frente a postos de saúde antes mesmo do local abrir.)
De qualquer forma ao chegar e fornecer meu nome à atendente, esta me pediu para sentar e aguardar. Peguei uma revista sobre motos (nunca tinha visto uma revista sobre motos em uma sala de espera de consultório médico antes, e fiz uma piadinha mental sobre o médico ser responsável pelo exame médico do CFC – Curso de formação de Condutores) e fiquei rindo à toa com os cantos da boca. Passados 10 minutos, a recepcionista chama meu nome completo em alto e bom tom como se chamasse por um pelotão inteiro. BRUNO IVO DE ALMEIDA. O curioso é que só tinham 5 pessoas na sala e 3 eram mulheres. A ansiedade de ser logo atendido perdurou, pois havia sido chamado apenas para assinar algumas vias. E não para a consulta. Assinei e aguardei novamente. Sentei-me ao lado do revisteiro e peguei a revista sobre motos novamente. Ela ainda estava disponível. Afinal quem é que lê uma revista sobre motos em uma sala de espera de consulta oftalmológica, talvez alguém que trabalhe no Curso de Formação de... Não aguentei e comecei a rir novamente. Foi uma pena que a graça, agora mais sem graça ainda, não tivera durado os quase 35 minutos que aguardei a ser chamado pelo médico. Neste momento o pelotão BRUNO IVO DE ALMEIDA, de um homem só, foi chamado pelo Dr. Com o mesmo tom usado pela atendente. PRESENTE E OPERANTE Dr.- pensei em responder ao médico. Mas ao menos tive tempo, pois após fazer menção de levantar ele já tinha dado as costas e entrado em seu consultório. Apertei o passo e eram 08:45 quando consegui pisar em sua sala. Ele já estava sentando em sua cadeira, com a cabeça baixa, escrevendo quase que simultaneamente em diversas folhas de papel. Sente-se – o Dr falou. Pois não? – foi sua segunda frase, ainda sem tirar os olhos do monte de papel em que escrevia. É que eu venho apresentando certa dificuldade em enxergar – logo eu disse, embora meio que sem jeito, afinal ainda não tinha visto os olhos do grande médico. Perfeito – disse o Dr. Vou dilatar sua vista para te observar melhor. Pode aguardar na sala de espera que minha atendente vai auxilia-lo. Sentei novamente e quase quando estava para alcançar “aquela” revista...
- Isso vai arder um pouquinho, o Sr. pode erguer a cabeça um minuto? – ouvi da etendente. Ao erguer a cabeça ela espremeu em cheio o limão dentro do olho esquerdo. Agora o outro – ela disse. Há Há Há (risada sem graça)Até parece – pensei. Mas acabei cedendo. Dei o outro olho ao limão amarelo espremido em frasquinho. Por que ainda fazem um colírio tão ardido ainda nos tempos de hoje? Será que eles não sabem que isso é pra ser usado no olho?
Talvez não nos de quem faça, pois hoje até xampu (que não vai no olho) é feito para não arder caso acabe acontecendo uma fatalidade de um pouquinho escorrer nos olhos. Enfim... aquilo se repetiu mais duas vezes com intervalos de 5 minutos em média. Adorei a forma de tortura. Agora que enxergava pior do que quando eu havia chegado, me dirigi ao consultório médico (ao menos não chamaram pelo pelotão);
Me acomodei em uma cadeira com várias lentes à minha frente e cada vez que ele apertava um botão eu dizia se minha visão estava melhor ou pior em relação às letrinhas que eu via através das lentes. – Muito bem, disse o doutor ao tirar as lentes da frente e me oferecer uma outra poltrona. Esta, que agora mais parecia ter saído do filme “A laranja mecânica” do que com um aparelho médico. Com o queixo e a testa apoiados olhava pra uma luzinha que se aproximava cada vez mais, aquilo já foi o suficiente para eu soltar meio litro em lágrimas, à 0,9% de concentração (coisas que se aprende em colégio e acabamos não esquecendo). O médico um pouco mais irritado, falou com o pelotão em um tom mais discreto: - Se não cooperar fica mais difícil. Como se a lágrima saísse por vontade minha. Após uns 7 ou 8 minutos de luta contra o olho e a luz, a luz acabou ganhando através da força. Lá mesmo o Dr já me Dara o diagnóstico. Deveria usar óculos.
Todavia, por mais bizzaro que isto possa parecer é que a consulta havia chegado ao fim.Era aquilo. Eu havia monopolizado toda uma equipe de professores para conseguir uma folga naquele dia, deixado de ganhar minhas aulas, ser atendido 30 minutos depois do horário agendado, ter aquele líquido ardido espremido nos olhos... Sabe... eu já ouvi dizer e também já fui à médicos nos quais eles nem ao menos olham no rosto do cliente (e não paciente, afinal pagamos por um serviço, seja da saúde pública através dos impostos ou plano particular ) para lhes dizer bom dia. Mas o cúmulo da falta de humanismo foi eu ter ido à um oftalmologista e não ter nem se quer visto os olhos do médico. Aquilo pra mim foi a lágrima do dia. A gota d’água mais literal e figurada ao mesmo tempo.
Se eu pudesse pelo menos ver a cara desse Dr. Eu acabava com ele... mas ele disse que eu só estabeleceria minha visão normal 24 horas depois...

5 comentários:

  1. Alguns medicos parecem maquinas que atendem máquinas, totalmente ao limite do:
    "Nao conheço voce, não pretendo, e saia logo"

    Enquanto alguns te tratam como ótimo amigo..
    trazendo mais seguranca e uma aparencia de conforto.

    Espero muitos como os do segunto tipo.

    abracoss
    e relaxa.. esse oftalmo.. acho que ele
    "nao enxerga"

    heheh

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  2. nossa,que médico é esse???? :O

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  3. cara o q tem de médico assim e a população se fodendo por causa disso, os pacientes são só mais um número, quer dizer td isso é culpa dos próprios convênios q pagam mal o médico, putz aí é tema de outra crônica...

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  4. Há diversas posturas que necessitam de mudança...Daquele que atende e também do que é atendido.
    A maioria dos produtos ou serviços tendem a criar formas viciadas porque carecem de um bom feed back. Ainda com as vistas embaçadas, em questão de segundos, você poderia lançar um comentário que pudesse mudar ao menos um dia daquele profissional.
    Temos que estar envolvidos no processo de mudança. Dentro deste sistema, qual o nosso papel?
    Já cansei de ter longas discussões com médicos, dentistas, gerentes de lojas...porque eu nao abro mão de transformar, ainda que pouco, terrenos estéreis capazes de se reiventar e criar novos frutos.

    Cesar Plaça de Medeiros

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  5. Bruno, acho que vc conseguiu explicar mto bem a postura de muitos profissionais, principalmente da área da saúde.
    Acredito que precisamos mesmo falar mais sobre isso para que possamos contribuir com a mudança de postura por parte das pessoas.
    Beijos, Gabriela Neves.

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